“Entende-se por material todo o produto, destinado a ser incorporado na construção, obtido na natureza ou mediante um processo industrial ou artesanal, quer seja utilizado isoladamente, quer seja misturado ou conjugado com outro.”( TEIXEIRA, Gabriela de Barbosa, BELÉM, Margarida da Cunha. 1998,p17).
A opção neste capítulo foi a de expor numa primeira parte as técnicas do passado, tendo como base o capítulo 6. Exemplos de materiais e técnicas constructivas tradicionais, técnicas essas já comprovadas e enraizadas, apresentando informação de empresas que as fabricam e que as desenvolvem actualmente. Numa segunda parte, apresentam-se soluções baseadas em investigação científica e tecnológica que são exemplos de caminhos a seguir nomeadamente na forma de colocar a ciência como contributo fundamental para uma prática arquitectónica sustentável.
Em Portugal, não há ainda medidas que garantam a extração sustentável de pedra. A opção passa por uma escolha de fornecedores qualificados e com boas práticas. A poluição por quilograma criado pela pedra é geralmente mínima. É a quantidade de utilização deste material utilizado na construção que leva para os problemas ambientais que lhes estão associados – não pela sua escassez. O processo de extracção de pedra em grandes quantidades pode prejudicar gravemente a paisagem. Em alguns casos um ecossistema é incapaz de recuperar totalmente após o processo de extracção. Outra questão é a relacionada com a utilização de grandes quantidades de energia necessária para transporte nas várias fases - de materias- primas, de semi-acabados, de produtos acabados e finalmente de resíduos após demolição. Para além da energia que isso envolve emissões adicionais e incomodos causados pelo transporte pesado (ruído, poeira, vibração). O transporte de pedra é uma parte substancial do total do transporte e contribui, em parte, para os danos ambientais causados pela infra-estrutura necessária.
A pedra é um produto que dura toda a vida de um edifício. A demolição provoca uma série de resíduos, embora este tipo de resíduos seja inofensivo (no sentido de não toxicos). A reciclagem desses materiais proporciona uma economia de matérias-primas, por um lado, e uma redução de resíduos, por outro.
Uma das soluções é o reaptoveitamento de pedra (oriunda de demolições), que pela qualidade das peças pode tirar delas partido estético.
Também devemos privilegiar o uso de técnicas que permitam o aproveitamento de vários tipos de tamanhos de pedras, como a alvenaria de pedra ordinária e a alvenaria de pedra seca (ver Cap. II ponto 6.2.2. e ponto 6.2.3.).
Produtos feitos a partir de sobras das pedreiras e reaproveitamento de pedras naturais. Apesar da adição de cimento na sua composição, material que já se viu ser evitável quando possível, conseguem-se resultados surpreendentes e produtos que se trabalham tal qual as pedras naturais, com espessuras até inferiores e durezas superiores. Com a particularidade de se poderem adicionar óxidos para obter efeitos cromáticos interessantes impossíveis com pedras naturais.
É o caso do produto Mono K da firma Mundilaj produzido em Torres Novas, vencedor do 1º prémio Inovação na Tektónica 2006. Distingue-se pela sua leveza e capacidade de resistência. Produto muito semelhante aos pavimentos hidráulicos tradicionais, mas enquanto estes são fabricados com duas camadas de massa espessas, com a utilização de nova tecnologia mas os mesmos materiais, conseguimos criar um produto bastante mais fino. Na realidade, o Mono K (uma monomassa) é um pavimento/revestimento que pode ser ajustado a variadas aplicações. Este produto pode ser recuperável, através do seu polimento, sempre que os efeitos do desgaste e da erosão assim o justificarem, concedendo--lhe a aparência estética e cromática da pedra inicial. As operações de reajustamento e impermeabilização facilitam a sua rápida limpeza. O Mono K, que tem apenas 2,0 cm ou 2,5 cm de espessura, existe em três séries. O Mono K apresenta-se nos formatos 38x58 e 40x60 na opção de 2,0 cm de espessura e nos 58x58 e 60x60 no caso do 2,5 cm. De igual forma, existem ainda todos estes formatos com 3,0 cm, sendo esta a espessura aconselhável para fachadas ventiladas. A leveza é, de facto, uma das principais vantagens do Mono K, que, para além de facilitar a sua aplicação, permite um transporte mais fácil, mais barato e para maiores distâncias. Por outro lado, e apesar da sua diferença de peso quando comparado com os pavimentos tradicionais, o Mono K apresenta um grau superior de resistência à flexão e ao desgaste.
Os acabamentos são iguais aos da pedra, podendo assim substituí-la com os óbvios benefícios e em condições e com um preço muito mais aliciante. Fontes: [http://www.aecops.pt/pls/daecops2/pnews.build_page?text=18594410]; [http://www.grupoamop.com]
Este material de construção não sofreu ainda grandes alterações na sua essência desde a fabricação artesanal utilizada na arquitectura popular. Logicamente que os processos industrializaram-se e a composição aperfeiçoou-se. Actualmente as principais empresas fabricantes, localizadas no litoral centro do país, dispõem de barreiros próprios. O material é cozido a temperaturas na ordem dos 1200º. A oferta de produtos, essa sim, aumentou bastante. Hoje em dia estão disponíveis: os tijolos face à vista, o tijolo maciço propriamente dito furado apenas por questão de aplicação e ventilação; as plaquetas, que imitam a utilização de tijolo inteiro, com a vantagem económica de mínima espessura e consequente menor inércia térmica e resistência; o paver, ou tijolo maciço para pavimento; a fachada ventilada, formada por peças vasadas com pouca espessura próprias para aplicação sobre malha estrutural metálica;
[http://www.valegandara.com/]
Este é também outro material de construção que não tem sofrido ainda grandes alterações na sua essência. As telhas cerâmicas têm a grande vantagem de serem consideradas como o único material de capeamento de coberturas capaz de assegurar total estanquidade e, simultaneamente, possibilitar trocas de humidade com o meio exterior, favorecendo o conforto ambiental no interior.Continuam a existir os formatos antigos de canudo, evoluindo para o sistema de aba e canudo (também chamado telha lusa), telha do tipo marselha, bem como outros modelos que foram sido aperfeiçoados tanto a nível de comportamento face aos elementos exteriores (chuva, humidade, vento, sujidade, etc) como de acabamentos (certas opções que se utilizam como falso envelhecimento e patinado são duvidosas).
Certos fabricantes, como a COELHO DA SILVA, evoluiram para formatos muito inovadores e criativos, como é o caso da telha plana Plasma. Possibilita aplicação na cor natural bem como outros inúmeros acabamentos vidrados com cores até aqui pouco habituais na telha (ver Figura 94).
Este é também o caso de uma empresa modernizada e atenta, com preocupações ambientais: Tem barreiros próprios, com reservas de argila superiores a vinte anos de laboração e das quais se extrai a quase totalidade da matéria-prima utilizada; executa um trabalho integrado que contempla a extracção, reposição de terras e reflorestação, por forma a reconstituir, tanto quanto possível, a paisagem natural pré-existente, atenuando os efeitos negativos da actividade extractiva; procede à reciclagem de todos os sub-produtos resultantes do processo produtivo, quer se trate de resíduos em cru, provenientes das operações de corte ou prensagem, quer se trate de quebras de produto já seco; a água empregue na produção de matrizes, nas linhas de engobagem e humidificação das pastas, é reutilizada, reduzindo substancialmente as quantidades necessárias de captação; são privilegiados, em todas as fases de fabrico, processos que proporcionem reduções significativas ao nível do consumo energético global – como exemplo refere-se a fase de cozedura que na indústria cerâmica, resulta em custos acentuados devido ao consumo energético que requer, implementando o sistema “hydrocasing” que, actualmente, é o que melhor garante a eficiência energética no processo de cozedura das telhas; efectua a filtragem e tratamento dos gases libertados na chaminé do forno, assegurando níveis de emissões gasosas muito abaixo dos máximos autorizados pelas normas ambientais de controlo da poluição.
[http://www.coelhodasilva.pt]
As Tijoleiras em barro são ainda um material rústico também com poucas alterações, intemporal e nobre, fruto da generosidade e beleza da natureza. Produto 100 % natural, fabricado com os três elementos da natureza – terra, água e fogo. Material de grande resistência, com características eternizantes e que pode ser aplicado em interiores e exteriores.
[http://www.azulima.pt/]
Actualmente tem surgido novamente um regresso a sistemas milenares como estes que utilizam um dos materiais mais acessíveis e de mais baixo impacto como a terra e derivados (argila, barro, areias, palha), tanto ligados a iniciativas de eco-construção e auto-construção como a nível mais empresarial como a empresa Fradical (www.fradical.pt) que (além da ampla gama de produtos à base de cal) se dedica à exploração, investigação e divulgação deste tipo de produtos. Um dos factores mais importantes é o produto estabilizador de terra, ainda em estudo e registo de patente. Foi difícil conseguir documentação técnica que pudesse ajudar ao trabalho, devido talvez a ser uma técnica muito artesanal e com poucas empresas a dedicarem-se à questão da comunicação.
Principais técnicas construtivas utilizadas actualmente:
Terra empilhada com molde: Taipa, Terra-palha, Terra plástica poured earth
Terra geometrizada sobre forma de blocos: blocos de terra, blocos de terra-palha; blocos de terra comprimida BTC blocos de terra comprimida; terra extrudida; adobe.
Argamassas à base de terra
Uma empresa que se dedica ao estudo, comercialização e aplicação desta matéria-prima natural e ecológica (descrita no Cap. II no ponto 6.) e seus derivados é a Fradical (www.fradical.pt), tendo já disponíveis inúmeros produtos, sendo de destacar o aditivo pozolânico usado como ligante para as argamassas. Os produtos à base de cal têm a grande vantagem de permitirem uma obra que “respira” e efectue trocas com o ambiente exterior, proporcionando um elevadíssimo grau de impermeabilidade à água no estado líquido, associada a uma alta permeabilidade ao vapor de água e uma ausência de fissuração por retracção restringida (ao contrário das tendências actuais de hermetizar as obras com materiais estanques), daí ser aconselhada a sua aplicação como sistema completo (rebocos exteriores, argamasas de assentamento de alvenarias e pavimentos, rebocos interiores) não tendo lógica aplicar um revestimento de cal sobre uma solução de alvenaria com argamassas de cimento ou isolamentos exteriores estanques, pois não há continuidade constructiva. As argamassas ecológicas são constituídas por cal aérea hidrófuga ou não hidrófuga e areias seleccionadas, misturadas em fábrica e com o traço adequado à granulometria da areia, sendo como tal apresentadas nas variedades de enchimento e acabamento. Contêm um teor de humidade que lhe permite minimizar a produção de pó em obra e promover o estágio de cal aérea que entra na sua constituição. A utilização da cal aérea como ligante em argamassas para revestimentos traduz-se num elevado desempenho de conforto no edificado. O endurecimento destas argamassas é feito à custa da absorção do dióxido de carbono existente no ar, que como sabemos é o responsável pelo efeito de estufa que a comunidade internacional pretende minimizar. É com ela possível, com ou sem secante Pozolânico D.Fradique ou Aditivo Pozolânico D.Fradique, executar encasques, emboços e rebocos.
O reboco com argamassas ecológicas D. Fradique, como qualquer reboco de cal, será apertado quando se inicia o sezoamento e posteriormente reapertado permitindo uma maior compactação do revestimento e a quebra da primeira película de carbonato de cálcio que entretanto se tinha formado, facilitando desta forma a entrada do CO2 para o interior.
A projecção mecânica de argamassas em que o ligante é a cal aérea hidrófuga D.Fradique é possível e de algum modo desejável na medida em que só desta forma poderemos assegurar uma maior tensão na projecção e sobretudo uma maior uniformização da mesma ao longo da superfície a revestir. Uma outra vantagem da projecção está relacionada com o processo de endurecimento do revestimento. As argamassas de cal aérea endurecem através da fixação do dióxido de carbono (CO2) presente no ar, havendo durante a projecção mecânica que se executa com o auxílio de ar comprimido, a introdução de CO2 no interior da massa projectada. Deste modo o endurecimento não se fará exclusivamente de fora para dentro, mas desenvolver-se-á complementarmente no interior da própria argamassa. A mistura da cal aérea e areias constituintes da argamassa poderá ser efectuada em obra mediante a utilização de betoneira ou poderá chegar à obra já pré doseada e no nosso caso com um teor de humidade que lhe permite não introduzir pó no estaleiro.
Acabamentos e cores - se atendermos a que o endurecimento deste ligante, como o de qualquer cal aérea, se processa exclusivamente por absorção de CO2 da atmosfera e que a resistência térmica da envolvente que o contem não diminui no tempo em resultado da absorção de água, julgamos suficientemente justificado o subtítulo desta nota.
Importa assim que as soluções de cor estejam em plena harmonia com o revestimento pelo que, consideramos indispensável que não diminuam o grau de permeabilidade deste ao vapor de água e ao CO2. Não devem portanto formar qualquer película, devendo em rigor vir a fazer parte do revestimento. Qualquer película exterior, para além de fazer diminuir a permeabilidade ao vapor de água, não permite a progressão do endurecimento para o interior do reboco já que lhe impede igualmente o acesso do CO2. Assim são completamente desaconselháveis as membranas e inconvenientes as soluções de tinta texturada e plástica. Que soluções adoptar? Tintas de silicato quando se pretenda uma cor de catálogo ou outras tintas com alta permeabilidade ao vapor de água, nomeadamente tintas de base de cal. O reboco com a cor natural, intermédia entre o branco da cal e a cor da areia, pode ser mantido através de adequado sistema de aplicação de protectores incolores.
Fonte: Fradical [www.fradical.pt]
8. Construção com cortiça
A cortiça é um produto natural, vegetal, que tem a sua origem na casca do SOBREIRO (Quercus Suber L). O sobreiro é uma árvore que se encontra difundida por toda a Bacia Mediterrânica, com maior predominância em Portugal. As condições climáticas, associadas aos excelentes solos, fazem de Portugal o habitat ideal de tão nobre árvore. A cortiça é constituída por 45% de suberina; 27% de lenhina; 12% de polissacáridos; 6% de ceróides e 6% de taninos. A suberina é a substância da qual são formadas as paredes das células da cortiça, que impedem a passagem de água. A estrutura celular da cortiça apresenta-se sob a forma alveolar, semelhante a um favo de mel, e é constítuida por cinco camadas. As duas primeiras camadas são constituídas essencialmente por gases semelhantes ao ar. Uma terceira camada cobre e protege as duas camadas interiores e por fím as duas camadas exteriores, que conferem a textura e rigidez tão características deste produto.
A cortiça apresenta-se, assim, como um produto natural, reciclável e biodegradável, leve, impermeável a gases e líquidos, elástico e compressível, não alimenta a propagação da chama, resistente ao atrito e com excelentes propriedades de isolamento térmico, acústico e vibrático.
Aglomerado negro de cortiça expandida (sob a forma de placas ou de granulado) - o produto actualmente utilizado para a construção, natural e que tem a sua origem num tipo muito específico de cortiça - a falca, que é a cortiça proveniente das operações de poda e desbaste dos sobreiros (a 1.ª tiragem, visto que as restantes tiragens serão de cortiça para rolhas), estes grânulos são colocados em autoclaves e, com vapor de água, que é obtido a partir da queima do pó de cortiça resultante da trituração e serragem dos blocos, obtêm-se os blocos. Finalizado o processo de produção de blocos, estes, são retirados dos autoclaves e arrefecidos com água, sendo deixados a estabilizar por um periodo de 2 semanas. Findo o periodo de estabilização, os blocos estão prontos para serem serrados e embalados para colocação no mercado, ficando com densidade de cerca de 110kg/m3.Este produto deriva de uma matéria-prima renovável, uma vez que a falca é extraída do sobreiro sem que este sofra qualquer dano ou abate. A manutenção da floresta de sobro, é uma actividade ecológica pois contribui para a manutenção e conservação de um ecossistema extremamente frágil e único. É um produto vegetal com excelentes propriedades de isolamento (térmico, acústico e vibrático), em cuja produção não são utilizados quaisquer agentes sintécticos, sendo apenas utilizado vapor de água. A não utilização de qualquer agente sintéctico, contribuí para a manutenção das suas propriedades físicas e mecânicas, por um periodo de tempo indeterminado. Uma vez que não é perecível, este produto, revela-se como uma fonte economizadora de recursos naturais e económicos. No fím da sua vida útil, este produto, pode ser reciclado, com vista à sua utlização em outros fins.
Aplicações: Isolamento acústico; isolamento de coberturas planas e inclinada; isolamento pelo exterior; isolamento de paredes; isolamento para pisos radiantes; isolamento vibrático; regranulado de cortiça expandida para enchimento de caixas de soalho; revestimento exterior à vista, nestes casos a densidade deverá ser maior (160kg/m3,) e deverá ser ventilada (o pavilhão de Portugal tem cortiça aplicada em peças com encaixe sobreposto, aplicadas sobre estrutura metálica formando câmara ventilada, perdendo em parte as propriedades térmicas), ou em alternativa colada à parede tendo em atenção a aderência e a “respiração” do material.
Fonte: [http://www.isocor.pt/index.htm]
Aplicações:
Argamassas Pré-doseada - Isolamentos térmicos interiores e exteriores em parede, coberturas e em terraçoos; Isolamentos acústicos interiores e exteriores em parede, coberturas e em terraços; Isolamento Hidrófugo ou não; Enchimentos leves; Pré-Moldados - Moldados em formação de alvenarias interiores e exteriores; Moldados em barreiras acústicas; Moldados em placas para revestimentos interiores e exteriores; Moldado dissipador de energia cinética; Moldado mobiliário urbano e de interiores.
Uma técnica ancestral recentemente retomada em casos de eco-construção e auto-construção. Existe ainda pouca informação técnica disponível. A técnica apresenta como inconveniente a resistência estrutural sendo então apenas usada como alvenaria. Em Portugal destacam-se o abrigo de palha inserido no workshop da Lipor para construção de um abrigo para um burro em palha em 2008. Em Inglaterra a casa experimental de Sarah Wigglesworth em Londres no Reino Unido, onde são usadas diversas outras técnicas de isolamento, como os sacos de areia empilhados (ver Figura 100).
Características comuns à grande maioria das madeiras:
a) A madeira necessita de ar para não se degradar (excluindo o caso em que se encontra totalmente mergulhada em água), não se devendo por isso encobrir as estruturas, por exemplo, no caso das coberturas.
b) A madeira é hidroscópica, ou seja, absorve e expele humidade (vapor de água). Para este fenómeno contribui a temperatura ambiente e a percentagem de água nela existente. Assim, quando é aplicada na construção, é necessário: deixar um espaço "entre madeiras" para que ela possa inchar sem prejuízo da obra; quando em contacto com outros materiais que contenham água, deve ser objecto de um tratamento apropriado nas zonas de contacto, pois a madeira irá naturalmente absorvê-Ia. Hoje em dia. e principalmente devido à falta de qualidade do material e à escassez de mão-de-obra especializada, torna-se necessário recorrer a estudos de carácter científico que façam com que deste material na construção se processe nas melhores condições. Para tal contribuem os processos de homologação do L.N.E.C, que informam sobre a sua conservação, manutenção e durabilidade.
É o caso da madeira Lunawood, distribuido em Portugal pela empresa Banema (ver Figura 101 e Figura 102)
Alternativas de tratamento das superfícies de madeira modificada:
a) Para manter cor da superfície deve ser reforçado com tratamento das placas, quer antes de montar ou imediatamente depois usando óleo pigmentado de madeira, cera, agente protector madeira ou verniz que protejam dos raios solares UV. Uma fina camada é suficiente. O montante excedente deve ser removido antes de secar. Uma nova camada deve ser aplicada, de tempo a tempo, quando a cor desvanecer.
b) Tintas normais, óleos de madeiras, ceras e vernizes podem ser utilizados em interiores.
c) Pode-se utilizar Lunawood natural sem acabamento. No entanto, a cor de sua superfície irá desaparecer e ficar cinzenta com o tempo, devido à influência dos raios UV. Esta cor cinza da madeira é elegante, e as mesmas propriedades benéficas permanecem constantes. A superfície da madeira apenas foi criada uma camada auto-protectora para si próprio. Se necessário, a cor cinza patinada pode ser lavada com uma solução própria, após o que a madeira pode ser de tratada. Com o adequado tratamento de superfície, você pode restaurar a cor original da madeira. Graças à capacidade desta madeira manter o seu tamanho e forma em várias condições, a superfície pintada mantém-se muito bem.
O município de Hengelo e da Universidade de Twente (UT) estão a preparar um ensaio num troço de rua em Hengelo com ar purificando pedras. A camada superior dos elementos de betão contém dióxido de titânio, um material fotocatalítica que usa luz solar para converter o óxido de azoto dos fumos de escape em nitratos inofensivos.
O fumo dos carros contêm óxidos de azoto (NOx), responsáveis pela produção de chuva ácida e poluição atmosférica. A chuva faz o restante serviço e lava as ruas já limpas.
Baseada numa invenção japonesa, as pedras foram desenvolvidas e sua eficácia demonstrada pela UT no seu laboratório de investigação do betão. O próximo passo agora é testar as pedras na prática. O município de Hengelo fez da Castorweg o local disponível para esta finalidade. A rua será dividida em duas secções, uma metade vai ser pavimentado com este pavimento e outra metade com pavimento comum. A qualidade do ar será, então, medida em cada seção para testar a sua eficácia. Para além disso, as pedras repelem a sujidade e, portanto, mantêm-se sempre limpas.
Esse ensaio está a ser realizado com o fabricante Struyk Verwo Infra. São uma boa oportunidade para melhorar o futuro da qualidade do ar nos locais em que as normas não são cumpridas. O programa começou no início do ano de 2009, com os primeiros testes e resultados esperados por volta do Verão de 2009.
Brouwers, Prof H,Faculty of Engineering Technology University of Twente em Enschede, Holanda disponível na internet em:
[http://www.utwente.nl/en/news/2008/august/66780%20UT%20PB%20Straatstenen%20(Engels).doc/]
Sistema de vãos com elevada prestação energética e funcional, Armadilha Solar – Arquitectura, arq Miguel Veríssimo, vencedores da III edição do Concurso Nacional de Inovação BES - sector das Energias Renováveis.
A ideia desenvolvida, aponta directamente para os vãos exteriores, como elementos fundamentais nas transferências térmicas, lumínicas, ventilação e acústica, que ocorrem entre o interior e o exterior das habitações. Procuramos assim, com a JEE, criar um objecto de design, standard, ergonómico, que optimizasse a prestação funcional dos vãos exteriores, melhorando a sua eficiência energética e o desempenho ambiental dos sistemas construtivos, utilizando materiais recicláveis, transformando resíduos em recursos. Passível de ser produzida em série, a JEE, é uma tecnologia de fácil aplicação em edifícios novos e a reabilitar, conseguindo em condições ideais de exposição solar e tratamento da envolvente, contribuir para o conforto dos espaços, poupando entre 30 a 40% de energia (entre energia incorporada e primária para climatização e iluminação) para uma analise de ciclo de vida, de 20anos. A JEE nasce pois, duma necessidade prática, desafiando a invenção, a inovação e o conhecimento duma equipa multidisciplinar constituída para o efeito, entre a Armadilha Solar e o Departamento de Civil da Universidade do Minho. Sendo um objecto integrado, a JEE, é composta por dois sistemas complementares que dão resposta a diferentes fenómenos, contribuindo no final para a eficiência do conjunto: o Vão, em caixilharia de alumínio com corte térmico, desenvolvida para o efeito; vidro transparente, garantindo a vista para o exterior, com factor solar e condutibilidade térmica variáveis com os locais de aplicação; um estore côncovo, reflector da luz natural para o interior; uma persiana exterior isoladora que garante também a ocultação.
- O Sistema termodinâmico disposto na vertical ao longo da ombreira do vão, constituído por uma estufa semicilíndrica em acrílico transparente; uma portada automatizada em cortiça, com espelho concentrador em alumínio polido aplicado numa das faces; acumulador térmico, desenvolvido e dimensionado de forma a armazenar o máximo de energia possível, com uma inércia térmica que permita um atraso adequado; um sistema activo de aquecimento, inserido na massa acumuladora, garantindo o funcionamento do objecto, em dias de fraca radiação solar. Os modos de funcionamento seguidamente exemplificados, tipificam a prestação da JEE em épocas de meia estação e Verão, e a forma como tiramos partido dos sistemas, que introduzidos no objecto:
Outono; dia frio solarengo.
- Com o Sol, a portada isoladora automatizada abre, deixando a radiação penetrar atravessando a estufa, incidindo no acumulador térmico, iniciando-se o processo de armazenamento de calor que ocorrerá durante o dia a uma média de 400Wh/m2. Nesse momento, começa também o aquecimento do ar contido no caudal da estufa iniciando-se uma termocirculação do ar interior que, passa por umas grelhas de ventilação através da estufa, aquecendo. A estufa e os ganhos solares directos da janela, associados, garantem o aquecimento passivo do espaço interior durante o dia. Entretanto, a porta isoladora automatizada, que contem na face interior, um espelho, vai-se posicionando controladamente relativamente ao Sol, de forma a reflectir constantemente a radiação solar no acumulador térmico melhorando a potência energética incidente. Esse espelho concentrador contribui também para o aquecimento da estufa. A porta em cortiça vai-se fechando até ao pôr-do-sol, isolando o acumulador térmico, evitando perdas de calor. Assim, consegue-se determinar a condução de calor nele contida, para o espaço interior.
O funcionamento passivo do acumulador, garante o conforto térmico entre o início da noite, até às 23h. Inicia-se então, o funcionamento pontual do aquecimento activo inserido no interior do acumulador térmico, controlado por termóstato, tirando então, partido da tarifa bi-horária, mais económica e ecológica.
Verão: A portada isoladora encontra-se fechada, ocultando o acumulador da radiação solar. No entanto, a estufa está quente e o ar circula por convecção natural através dumas grelhas de ventilação exterior da estufa, que se encontram abertas durante o Verão, para evitar o sobreaquecimento. A termocirculação vertical do ar dá-se através da estufa, criando um efeito de termosifão, “sugando” para o exterior o ar quente acumulado junto ao tecto da habitação. Essa sucção é feita através duma grelha de ventilação superior, entre a estufa e o espaço interior, devendo permanecer aberta durante o Verão, possibilitando a ventilação interior/exterior. Durante a noite, o sistema é aberto e deixado em modo de ventilação.
À eficiência do sistema térmico associam-se ainda, ganhos com a melhoria da prestação do sistema de iluminação natural que projecta a luz solar profundamente no espaço. A instrumentação e monitorização do protótipo numa célula de teste situada em Guimarães, simulando um espaço tipo duma habitação (12m2), demonstrou o funcionamento da tecnologia, comparativamente ao desempenho dum vão convencional. Assim, a JEE funciona durante todo o ano 24h/dia, climatizando, ventilando e iluminando as habitações, quando aplicada em edifícios orientados de forma a tirar o máximo partido do Sol como fonte de energia, reduzindo os consumos. Sendo uma tecnologia, integrada num vão, a sua aplicação é imprescindível em obras de recuperação ou nova construção, tornando redundante o recurso a outros meios de climatização, para cumprir essas funções. Quando comercializada, a JEE, tem por isso potencialidades de se tornar um conceito incontornável, contribuindo, a par doutros sistemas de energia renovável, para que os sectores da construção e habitação contribuam definitivamente para os objectivos de Quioto.
fonte:[http://www.bes.pt/sitebes/cms.aspx?plg=661e3b18-bb67-42ca-bcd5-3bc604020d15]
Existem já no mercado diversos tipos de isolamentos térmicos , sejam origem animal e vegetal (como as fibras de madeira, fibras de cânhamo,lã de ovelha, plumas de ganso,fibras de linho, fibras de coco, lã de algodão), sejam de origam mineral (lãs minerais comuns, lã de perlite sobretudo em França, onde as preocupações ambientais são mais significativas.
Isofloc - é um material de isolamento térmico e acústico, à base de celulose (91%) e sais de boro (9%), semelhante ao algodão e à lã, que pode ser injectado, insuflado ou projectado em paredes, pavimentos, tectos e coberturas (ver Figura 106). Para além do Isofloc ser um bom isolante, o seu sistema de aplicação sob pressão permite-nos obter um calafetamento eficaz de todos os espaços onde é aplicado. Os aditivos deste produto (sais de boro) conferem ao Isofloc características ignífugas e fungicidas, afastam bichos e roedores, e evitam a própria decomposição do produto. Isofloc, à base de celulose, tem a capacidade de absorver e regular a humidade no interior das habitações, proporcionando um ambiente agradável. Isofloc pode ser aplicado tanto na reabilitação de construções antigas, como no isolamento de novas construções. Ensaios independentes definiram este produto como sendo especialmente ecológico. O Isofloc é licenciado pelo Instituto Alemão para a Técnica de Construção e inofensivo à saúde pelo Ministério da Saúde Alemão.
[http://www.biohabitat.pt/]
Produtos SonaSpray ® e CELBAR ® (ver Figura 106)- produtos de elevada performance acústica produzidos sob apertados controlos de qualidade (certificação ISO 9001: 2000, ISO 9002:1994) pela International Cellulose Corporation, sede em Houston, EUA. São constituídos basicamente por papel e adesivo os quais são projectados sobre um substrato de forma a obter uma superfície contínua e homogénea, isenta de juntas ou pontes de fuga. São constituídos por mais de 75% de papel reciclado e não contêm quaisquer resinas de ureia-formaldeído acrescentadas. Fibras celulósicas tipo SonaSpray são aplicados com adesivos referenciado como SK-600, SK- 2000, SK 2000 fc e SK-fc produzidos e regulados sob patente mundial. Características mais relevantes: Coeficiente de condutibilidade térmica = 0,030 W/mºK ; Coeficiente de difusão de Vapor: µ = 3,3; Ensaio de libertação de partículas: < 1 ppm ; Ensaio de resistência a ataque de fungos: antivérmico e antifúngico ; Ensaio de fogo: DIN 4102 – B1; M1 – DMAT/3; Barreira de fogo de uma hora segundo ASTM E-119 ; A longevidade por experiências várias superior a 45 anos.
Fonte: STIER Sociedade Técnica de Isolamentos e Energias Renováveis, Lda.
[http://www.stier-acustica.com/html/produtos.html]
As sanitas de vácuo RoeVac ® consomem apenas um litro de água por descarga em comparação com sanitas convencionais que utilizam entre 6 ou 10 litros, economizando grandes quantidades de água. O volume de água necessária para urinóis também pode ser reduzido consideravelmente e lavatórios podem ser equipados com torneira com filtros arejadores.
Este sistema é ideal para instalações onde existe uma elevada densidade de acessórios sanitários com exigências de poupança no uso da água. A tubagem pode ser instalada entre pavimentos e tectos suspensos dando a possibilidade de conexão de acessórios sanitários situados em níveis acima e abaixo, não precisam de declive natural. Além dos novos edifícios, é uma tecnologia ideal para aplicações em construções antigas a renovadas.
Como exemplo de aplicação de uma Fito-Etar, descreve-se de seguida o sistema Kickuth que trata efluentes de águas residuais (domésticas e mesmo algumas industriais)
Vantagens da utilização da tecnologia Kickuth:
a) Custos de exploração muito baixos; b) Integração paisagística; c) Sistema subsuperficial sem odores; d) O sistema subsuperficial não atrai insectos; e) Redução de volume de efluente; f) Sem consumo de energia; g) A água tratada pode ser utilizada para rega; h) Versatilidade e adaptação a diversas situações.
2. Pedras artificiais – aglomerados e reconstituídos de pedra/cimento
3. Pedras artificiais – tijolo cozido de barro
4. Pedras artificiais – telha de barro cozido
5. Pedras artificiais – tijoleira vermelha tradicional de barro cozido
6. Sistemas construtivos em terra
11. Pavimento em blocos de cimento purificador do ar
13. Materiais de isolamento térmico não convencionais
14. Tecnologia de saneamento por vácuo
15. Tratamento de águas negras e cinzentas: Fito-Etar