Este é um exemplo de aplicação de alguns parâmetros descritos em 1.7, num projecto de pequena escala residencial, inserida num contexto natural forte.
Implantação paralela à pendente e parcialmente enterrado com pouco impacte pelo uso da madeira como estrutura (ver Figura 110).
Isolamento térmico reforçado com 20cm de lã de rocha na cobertura e 12cm nas paredes.
Jardim de inverno trazendo iluminação e ventilação ao piso inferior semienterrado.
Eleição de espécies de madeiras com alta durabilidade natural.
Depuração de águas residuais e águas negras através de fito-etar.
Uso de materiais e sistemas constructivos eco-eficientes (ver Figura 111 e Figura 112): estrutura de pinho maciço; lajes de betão armado revestidas com lousa portuguesa com elevada inércia térmica; cobertura com vigas curvadas de pinho lamelado; pavimentos em parquet de carvalho; revestimentos em contraplacado Navyrex de baixa emissão de formaldeídos; pinturas e vernizes biológicos Holzweg; ventilação regulação de humidade de fluxo simples; caldeira a gás de alto rendimento.
O Projecto foi integrado na primeira fase do bairro ecológico Vauban e ao abrigo de um programa de investigação sobre ecologia, com subsídios para a investigação e avaliação. Alberga 16 vivendas. A colaboração entre as especialidades e os futuros moradores foi uma das razões do êxito da operação.
A implantação é feita num volume compacto paralipipédico com orientação este-oeste, O isolamento térmico é composto por com lã de rocha (ou celulose) de 34cm em paredes e 36cm na cobertura; os corpos de circulações verticais e horizontais são construtivamente separados da estrutura evitando pontes térmicas.
Utilização de sistemas solares passivos: 50% da fachada sul é envidraçada e sómente 20% das fachadas restantes; a fachada sul está protegida por varandas corridas e por árvores com folha caduca.
Uso de materiais e sistemas constructivos eco-eficientes (ver Figura 114): estrutura mista de betão, alvenaria e madeira; lajes de betão armado com cofragem perdida com grande inércia; revestimento de fachadas com paineis de derivados de madeira Agepan sobre montantes de madeira; revestimentos exteriores em pinho; cobertura ajardinada com vegetação extensiva; componentes modulares pré-fabricados utilizados na construção.
Ventilação de duplo fluxo com recuperação de calor, colectores solares para aquecimento de AQS que cobrem as necessidades de AQS entre Abril e Setembro, módulos fotovoltaicos que juntamente com cogerador produzem 80% da electricidade.
É utilizado um sistema de gestão de água inovador que funciona do seguinte modo: as águas cinzentas das cozinhas e dos sanitários são depuradas num filtro ventilado de areia, e utilizada a seguir nos sanitários de sucção Roediger levando a que não se utilize mais do que 20% da quantidade de água de um sanitário corrente. As águas negras são canalizadas para uma cuba que recebe também os resíduos orgânicos. O biometano produzido abastece de gás as cozinhas. O esterco é usado como adubo.
Trata-se de um conjunto de 40 habitações experimentais e três apartamentos convencionais, o único projecto francês ao abrigo do programa Cepheus.
A implantação é feita num volume compacto paralipipédico com orientação este-oeste. O isolamento térmico é composto por lã de fibras de cânhamo; vidros duplos (4/16/4) com câmara de gás árgon de baixa emissividade aumentando o isolamento;
Utilização de sistemas solares passivos e activos.
Uso de materiais naturais, sãos, renováveis e recicláveis e sistemas constructivos eco-eficientes: estrutura mista betão-argila-madeira; estrutura principal de betão garante suporte e inércia térmica; estrutura das empenas laterais e fachada norte apoiada em subestrutura de madeira cuja capacidade isoladora reduz as pontes térmicas; a fachada sul é de adobe (terra crua comprimida) pré-fabricado em blocos de 50cm de espessura, 70cm de altura e 60cm a 100cm de comprimento revestido em ambas as faces com reboco de cal e terra, proporcionando grande inércia e um conforto térmico tanto de verão como de inverno (ver Figura 116 e Figura 117).
Utilização de lajes maciças de betão; carpintarias exteriores em Madeira mengkulang pintadas recuperando a tradição do centro histórico de Rennes; revestimentos exteriores em reguado de naturocimento (madeira com cimento); zonas não acessíveis da cobertura em chapa de aço pré-lacada.
Ventilação de duplo fluxo com recuperação de calor, climatização complementar de ar de impulsão através de rede urbana.
Uso de colectores solares para aquecimento de AQS.
Conjunto de 82 habitações de tipologias múltiplas (apartamento-estúdio, apartamentos T2, moradias T3) que a maior cooperativa de habitação Peabody Trust encomendou à firma Arup em conjunto com o arquitecto Bill Dunster, professor da Architectural Association e especialista em design ambiental.
Esta obra destaca-se pela introdução do conceito de urbanismo solar. Um dos objectivos maiores deste projecto é reduzir as emissões anuais de carbono do agregado familiar médio e consequente pegada ecológica. O conjunto é inclusivamente auto-suficiente em termos energéticos, sempre com recurso a fontes renováveis. A obra superou todas as questões técnicas, económicas sendo o resultado um conjunto exemplar que “respira” qualidade de vida, juntando o espírito de uma cidade jardim com o espírito florescente de uma comunidade sustentável. De facto o alcance do projecto transcende a arquitectura e prevê, por exemplo, o encorajamento dos habitantes a prescindir de viatura própria, adoptando um conceito inovador de “clube de carro eléctrico”.
A Implantação do conjunto segue a lógica do sol, em volumes compactos com orientação este-oeste. Uma das grandes inovações é o avançado sistema de ventilação passivo através de chaminés com palhetas que introduzem o ar frio e o aquecem através de permutação de calor com o ar aquecido no interior.
Os princípios solares passivos estão aqui também amplamente utilizados, como a estufa-anexa nos compartimentos orientados a sul bem como as superfícies de grande massa térmica colectoras aqui colocados que libertam o calor à noite.
Gestão da energia: energia fotovoltaica incorporada nos elementos da arquitectura (ver Figura 120) , entre os panos de vidro laminado, que no seu conjunto têm capacidade de alimentar 40 veículos eléctricos do “clube de carro eléctrico”; existe uma central de produção de energia alimentada com biomassa (restos de madeiras e vegetação fornecidas pela entidade que recolhe restos dos espaços verdes de dois concelhos vizinhos, convertendo em combustível uma fonte valiosa que seria desperdiçada), esta central fornece a restante energia e aquecimento ao conjunto.
Os materiais foram neste projecto motivo de profundos estudos para cada opção com a tripla preocupação de eficácia financeira, ambiental e social (ver Figura 122). Cada escolha submeteu-se a um método de análise comparativa onde pesavam todos os factores resultantes das preocupações atrás referidas, nomeadamente:
Madeiras locais como o carvalho para os reguados dos revestimentos exteriores; madeiras reutilizadas para suporte de revestimentos interiores e exteriores; madeira certificada; contraplacado; caixilharias standard de madeira dinamarquesas com vidro duplo e triplo, utilizações pontuais de alumínio; acabamentos das cozinhas com tampos em faia maciça; tintas Ecotec juntamente com outras comuns acrílicas por decisão do construtor; reduzir ao mínimo acabamentos interiores mantendo certos panos de bloco simplesmente pintados sem reboco nos locais de trabalho; pavimentos interiores em linóleo (nas cozinhas e WC), revestimentos cerâmicos oriundos de produtores que utilizam barro do Reino Unido; revestimentos em gesso sobre montantes de madeira reutilizada; coberturas ajardinadas com vegetação de sedum de pouca manutenção, com estudo a decorrer sobre a colonização destas coberturas pelos insectos; portas reutilizadas; aço reutilizado para estrutura principal; lajetas de pavimento reutilizadas; lajes de betão pré-fabricadas com acabamento inferior regular de modo a evitar tectos falsos; entulhos reciclados feitos de restos de betão; blocos de cimento local; tijolos locais; utilização de isolamento de poliestireno extrudido nas coberturas por engano do empreiteiro, a opção seria de poliestireno expandido, lã mineral no preenchimento entre paredes; paisagismo utilizando resíduos da obra ou adquirndo entulhos e areias recicladas de vidro verde triturado.
A extensão desta descrição deve-se à imensa quantidade de material documentado com este projecto em três livros práticos, que são autênticos guias de boas práticas (os toolkits for carbon neutral developments). O profundo conteúdo técnico e conceptual da obra não limitou em nada a criatividade da criação arquitectónica, pelo contrário, proporcionou espaços muito ricos, quer a nível de luz natural, quer de ventilação, conforto e relação entre espaços (ver Figura 123). São espaços que despertam os sentidos através do tacto, das alturas de duplo pé-direito, da luz do sol, da presença constante da vegetação (que aqui tem uma razão de ser, um objectivo). Há ainda mais um extremo espírito britânico que a tornam ainda mais especial.
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