Arquitecta pioneira na aplicação em Portugal de conceitos bioclimáticos. Uma prática que tem como principais pontos de partida a construção com o sol e com os factores naturais envolventes, sendo estes determinantes para o encaixe do edifício no terreno, para a sua orientação e forma. A sua obra tem extremo respeito pela arquitectura popular e explora sobretudo os sistemas solares passivos. O uso das paredes de Trombe, sombreamento de vãos, estufas anexa, efeito chaminé e utilização de elementos com inércia térmica contribui para obras com grande conforto ambiental comprovado. A ventilação natural e iluminação natural também estão presentes em todas as obras. Demonstram-se de seguida algumas obras:
O isolamento térmico é feito pelo exterior com 4 cm e a cobertura com sistema invertido e isolamento sobre as lajes. Apenas nos pontos com cantarias à vista se passou o isolamento térmico para o interior.
Pontualmente, aproveitam-se as cantarias existentes para aí colocar paredes de Trombe ventiladas, que utilizam a elevada inércia térmica do granito maciço para armazenar o calor e libertá-lo para o interior de uma forma mais rápida, uma vez que a utilização deste edifício é diurna. Esta solução é particularmente interessante pois valoriza a solução a nível de conforto térmico do mesmo modo que reforça a importância destes elementos em cantaria característicos da arquitectura do “português suave”.
A autoria e concepção de engenharia estiveram a cargo do Eng.º Helder Gonçalves, projecto piloto no âmbito da instalação do departamento de energias renováveis do INETI tem três pisos e cerca de 1500 m2 de área, e destina-se a uma utilização mista de salas laboratoriais e gabinetes de trabalho. A concepção deste edifício é, também ao nível da integração do projecto de arquitectura e engenharia, seguramente um exemplo a seguir no projecto de novos edifícios. A Implantação é feita num volume compacto paralipipédico com orientação este-oeste (ver Figura 126).
Utilização de sistemas solares passivos e activos: na fachada sul, foi integrado um conjunto de painéis fotovoltaicos (100m2), que produzem energia eléctrica para consumo directo no edifício, capaz de produzir cerca de 12 MWh por ano. Este nível de produção pode constituir entre 60 a 70% da energia eléctrica necessária para o equipamento e iluminação no edifício. A recuperação de parte da energia térmica produzida pelos painéis fotovoltaicos para aquecimento ambiente do edifício, promovendo a conveção natural entre os painéis e o interior do edifício, é outra das inovações a ter em conta.
Na concepção do edifício predominou a optimização da envolvente em termos térmicos, de forma a minimizar quer as perdas térmicas no Inverno, quer os ganhos solares no Verão. Esta estratégia conduz a que as necessidades energéticas do edifício para aquecimento ou arrefecimento sejam muito inferiores a qualquer outro edifício com as mesmas características.
No que respeita ao aquecimento ambiente, para além dos ganhos solares directos e dos painéis fotovoltaicos, o edifício tem um conjunto de painéis solares (tipo CPC), que constitui o sistema auxiliar de aquecimento do edifício, acoplado a uma caldeira a gás natural.
O interior do edifício apresenta um excelente nível de iluminação natural para o qual contribuem vários aspectos: todas as salas a Sul têm vãos exteriores com grandes áreas de envidraçados, as portas de comunicação com o corredor possuem bandeiras translúcidas e a zona central do edifício é atravessada por um poço de luz comum aos três pisos, com clarabóia ao nível da cobertura (ver Figura 128). As salas orientadas a Norte também comunicam com este poço de luz zenital, através de superfícies translúcidas quer em bandeiras de portas quer em vãos interiores. Finalmente, nas salas posicionadas a Norte-Nascente existe uma parede cega que funciona como um elemento refletor de luz, facilitando a obtenção de um excelente nível de iluminação nestas salas.
O sistema de arrefecimento pelo solo (ver Figura 129), uma das inovações maiores, a idéia fundamental resulta do solo apresentar temperaturas (terra) no período de verão que variam entre os 16 e os 18ºC, enquanto a temperatura do ar pode subir até aos 35ºC. Existe, assim, um potencial de frio na terra (fonte fria) muito interessante para arrefecer o ar que será injetado no interior do edifício, sempre que estejam reunidas as condições para tal. A montagem deste sistema consistiu na colocação de 32 tubos de manilhas de cimento (com um diâmetro de 30 cm) enterradas a 4,6 m, e que constituem o “permutador de calor” que permitirá a “transferência de calor” do ar com a fonte fria (terra) e, assim, arrefecer o ar a injetar no edifício. De referir que a escolha das manilhas corresponde a uma opção de utilizar um material de grande condutibilidade e assim facilitar as “trocas” de calor. A entrada de ar é feita a partir de um poço de alimentação, construído a cerca de 15 metros do edifício. Estes tubos entram no edifício pelo piso enterrado e, nesta situação, já se utilizou tubagem em PVC, uma vez que já não se coloca a questão da transferência de calor. O percurso da tubagem sobe na vertical pelas coretes centrais do edifício, efetuando-se a distribuição do ar directamente e individualmente nas salas do piso térreo e do piso 1. Cada sala recebe dois tubos e respectivas saídas de ventilação, que o usuário poderá controlar em termos de abertura e fecho.
A gestão funcional do sistema dependerá muito do comportamento global do edifício em termos térmicos, e do comportamento dos utilizadores. Prevê-se que o sistema possa funcionar com maior eficiência se a entrada de ar a partir dos tubos for accionada a partir do meio da tarde, altura em que se requer ar frio para compensar o aumento da temperatura interior. O usuário deverá ter em atenção que este “sistema” não é um “sistema de ar condicionado”, que fica ligado todo o dia. Será o conjunto de estratégias de ventilação (diurna e noturna) que determinará o nível de cargas no interior do edifício e respectiva temperatura, sendo que o sistema de arrefecimento pelo solo vem complementar a estratégia de ventilação.
Nadir Bonaccorso, nascido em Milão, estabelece-se em Lisboa em 1993. Todos os projectos e obras são caracterizados por uma prática baseada nos parâmetros de sustentabilidade anteriormente descritos.
Materialidade e sustentabilidade - o edificio é construído em betão branco à vista. O seu lado sul é revestido com painéis de fibro-cimento, pigmentados a preto com volumes salientes que permitem o controlo solar e oferecem um espaço peculiar para as actividades escolares (ver Figura 132). O interior desta estrutura é revestido, quase como uma segunda pele, a isolamento térmico. Uma terceira pele em tijolo e reboco protege o isolamento, garante uma inércia térmica no interior do jardim de infância.
O aquecimento é baseado num sistema misto de painéis solares e caldeira a gás, que fornece água quente para uso normal e para pavimento radiante. A ventilação do edifício é feita por diferença de pressão da extração forçada de ar, nos volumes de instalações sanitárias, entrando no edificio através de um sistema de grelhas presente nos caixilhos térmicos em alumíno (ver Figura 133).
O sistema de recolha de águas pluviais converge para um depósito que a recolhe e a distribui pelas descargas das casas de banho e para a rega do jardim. O depósito, na ausência de chuva, é alimentado pela rede pública.
Fonte: [http://www.nbaa.pt/]
Espaço Habitável: Um volume simples orientado a Sul. Servido pela máquina sustentável; esta caixa é livre de assumir variadas formas e dimensões, consoante as exigências do cliente. Nesta proposta, o volume geométrico apresenta algumas leves torções de modo a disfrutar das melhores vistas que a paisagem envolvente oferece.” BONACCORSO, Nadir.2008. disponível na internet em 24 de Janeiro de 2009 em: [http://www.nbaa.pt/]
O Plano B é um grupo de arquitectos muito novos, que se destacam por uma prática corajosa e aventureira face a um panorama actual de algum simplismo e facilitismo formal. Este grupo, pelo contrário, experimenta, descobre, pesquisa. Obra a obra, vai recuperando técnicas vernáculas do mesmo modo que se denota uma actualidade consciente. A auto-construção faz parte de alguns exemplos. As “mãos-à-obra” aproximam o grupo de uma experiência muito rica que se sente nas obras.
O entusiasmo pela prática em estreita ligação com o aspecto construtivo da obra, levam à existência de um blog com as várias etapas construtivas, que se aconselha a consulta (http://planob-arruda.blogspot.com/). Uma verdadeira ferramenta para uma prática biorregionalista.
Além das obras e dos autores assumidamente ambientalistas anteriormente descritos, também em outros autores contemporâneos se nota uma vontade em buscar algo mais na arquitectura que confira um significado local, um novo regionalismo crítico. Os valores do moderno regional voltam a sentir-se, agora ligados a uma realidade contemporânea arquitectónica muito diferente e igualmente válida.
Como pudemos esclarecer nos capítulos anteriores, este é um material de eleição, por excelência – a cortiça. Tal facto não foi esquecido, pelo contrário, explorado também pelos Arquitectos Anónimos. Atitude já levantada por Souto de Moura e Siza no pavilhão de Portugal, apesar de ser utilização mais pontual em jeito de apontamento.
Existe, como se vê, implicitamente patente, esta vontade de as obras serem algo mais que um objecto arquitectónico em consonância com as correntes do panorama arquitectónico actual. Algo parece chamar os arquitectos à terra, quando a realidade se torna demasiadamente globalizada. É esta sem dúvida uma das fontes do biorregionalismo.